Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar seus olhos que são doces.
Porque eu não poderei te dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto.
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida.
Eu sinto que em meu gesto, existe o teu gesto,em minha voz, a tua voz. Não te quero ter pois em meu ser tudo estaria terminado.
QUERO SÓ QUE SURJAS EM MIM COMO A FÉ NOS DESESPERADOS, para que eu possa levar desta terra amaldiçoada, uma gota de orvalho que ficou sobre a minha carne como uma nódoa no passado.
Eu deixarei, tu irás e encostarás a tua face, em outra face, teu dedos, enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada, mas tu não saberás que quem te acolheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei a minha face, na face da noite e ouvi tua fala amorosa, porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço.
E eu trouxe até mim, a misteriosa face do teu abandono desordenado. Eu ficarei só com os veleiros nos portos silenciosos.
Mas te possuirei mais que ninguém porque poderei partir...
VINÍCIUS DE MORAES
quarta-feira, 25 de março de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário