quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Soneto da Madrugada

Pensar que já vivi à sombra escura
Desse ideal de dor, triste ideal
Que acima das paixões do bem e do mal
Colocava a paixão da criatura!

Pensar que essa paixão, flor de amargura
Foi uma desventura sem igual
Uma incapacidade de ternura
Nunca simples e nunca natural!

Pensar que a vida se houve de tal sorte
Com tal zelo e tão íntimo sentido
Que em mim a vida renasceu da morte!

Hoje me libertei, povo oprimido
E por ti viverei meu ódio forte
Nesse misterioso amor perdido.

Vinícius de Moraes

Um comentário:

Anônimo disse...

Aline, estou conhecendo o seu blog hj e de cara adorei os poemas e canções...
e este soneto... é D++++, e como sabemos né...vinícius é Vinícius!
Ele tem obras magníficas.
Foi de mto bom gosto.
Bjsssssssss

Paty Rocha