terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Receita de Ano Novo

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A Árvore dos meus Amigos


Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples fato de terem cruzado o nosso caminho. Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro.

A todas elas chamamos de amigos. Há muitos tipos de amigos. Talvez cada folha de uma árvore caracterize um deles. O primeiro que nasce do broto é o amigo pai e mãe. Mostram o que é ter vida. Depois vem o amigo irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós. Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem.

Mas o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses denominados amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros e nos trazem muitas alegrias.

Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos perto.
Falando em perto, não podemos esquecer dos amigos distantes. Aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra.

O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas.

Algumas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações. Mas o que nos deixa mais feliz é que os que caíram continuam por perto, continuam alimentando a nossa raiz com alegria através das lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam o nosso caminho.

Desejo a você, folha de minha árvore, Paz, Amor, Saúde, Sucesso, Prosperidade

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Matança de Baleias

Matança de Focas

Matança

Demorei para falar no assunto, porque não sabia bem por onde começar.
Não sabia bem como passar verdadeiramente o meu sentimento sobre isso, e ainda nem sei se vou conseguir um dia.
É algo que mexe comigo profundamente, me tira o sono, me angustia, revolta e me cala.
A matança, matança das baleias, dos golfinhos, peixes-boi, matança de focas,matança de crianças, de velhos, matança. Essa é a palavra.
Chegamos em um tempo em que nada tem valor, o futuro não tem valor, o planeta não tem valor, as pessoas não tem valor, a vida perdeu completamente o valor.
E tudo justificado pelo progresso, pelo consumo, pela injustiça social, para tudo se arruma uma justificativa, mas nada justifica. Nada dá o direito de nos obrigar a viver na barbárie em que vivemos.
A matança do direito de viver, de andar na rua, de sentar na calçada, de estudar, a matança do respeito ao próximo, da aceitação das diferenças. Porque ninguém venha dizer que vivemos num país sem preconceito, aqui o preconceito é velado. Está sempre latente, à espreita, e cada cidadão guarda calado a sua dose.
Voltando aos animais, os irracionais claro (aqueles que os racionais matam até por esporte), alguém sabe como se mata uma foca, para retirar sua pele,para alguém vestir numa passarela, num momento de soberba, seu óleo, pra alguma maquiagem que uma fulana cismou em usar pra ficar mais bonita?
Alguém sabe, em quantos segundos um baleeiro transforma um animal lindo, altivo, que a natureza molda com tanto cuidado que demora décadas para maturar? E quantos segundos essa baleia agoniza arpoada, sangrando, se debatendo, lutando, apenas por instinto, gritando para viver?
Ah o objetivo? A gordura, a carne, que nunca foram bens de primeira necessidade, porque são altamente substituíveis, inclusive falando-se em nutrição, não há nada ali naquele animal majestoso, que precise ser sacrificado. Há apenas a ganância, a sede de consumo e poder, a crueldade de quem se esconde atrás de motivos sem sentido, para executar a sua matança, sua sede de destruição.
Passarinhos em gaiola, sapato de jacaré, casaco de chinchila,pele de foca, ensopado de tartaruga,animais no circo, pra mim todos tem o mesmo cheiro, de morte.
A matança desenfreada que o ser humano executa sem pudor, sem justificativa, por achar que está no topo.
Não estamos no topo. O ser humano não está no topo.

Soneto da Madrugada

Pensar que já vivi à sombra escura
Desse ideal de dor, triste ideal
Que acima das paixões do bem e do mal
Colocava a paixão da criatura!

Pensar que essa paixão, flor de amargura
Foi uma desventura sem igual
Uma incapacidade de ternura
Nunca simples e nunca natural!

Pensar que a vida se houve de tal sorte
Com tal zelo e tão íntimo sentido
Que em mim a vida renasceu da morte!

Hoje me libertei, povo oprimido
E por ti viverei meu ódio forte
Nesse misterioso amor perdido.

Vinícius de Moraes

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

E finalmente...

É finalmente os pedacinhos da minha alma vão voltando pro lugar.
Sinto-me livre, capaz e dona única da minha força e poder.
Como se tivesse recuperado a minha capacidade pulmonar, o meu apetite e o meu sono.
O sonho de dormir uma noite inteira em paz...
Paz de espírito.
Me vejo brilhando de novo, um brilho que perdi no caminho, quando me perdi do meu rumo. E agora tenho tudo de volta.
Demorei mas voltei, demorei porque tive que me achar só...
Respeito demais um ser humano pra fazer de qualquer um que seja, a minha tábua de salvação, não posso cometer o crime de não poder corresponder ao amor de alguém, por não ter encerrado o ciclo anterior. Fechar um ciclo é doloroso, mas necessário para renascer para alguém que merece, e um bom guerreiro sabe sempre a hora de deixar o campo de batalha.
Para mim, preferível é passar por minhas dores sozinha e consumi-las, para só então estar pronta novamente, sem dúvidas, sem confusões, indecisões.
E passei, estou passando, uma lágrima aqui e ali, mas cada vez mais escassas.
Ainda que com toda a turbulência, estou aqui, viva, me reconhecendo quem sempre fui um dia, viva, brilhante, sagaz, confiante e terna. Viva.
Obrigada por me fazer mais forte, por me fazer lembrar que eu sempre vou sobreviver, não importa como, eu sempre sobrevivo.
Estou encerrando um ciclo.
Estou pronta para o recomeço.
Agora sim, eu estou de volta.