O cansaço do amor é uma escravidão consentida, isso que aprisiona a pessoa no outro, que não importa o quanto teu corpo vai cansar, porque tua mente fica limpa, sã. E você consegue se movimentar porque se alimenta daquela energia, da troca do olhar, do calor.
Quando há o envolvimento verdadeiro, a alma não cansa. É onde criamos força, para mesmo depois de dias exaustivos, partirmos em busca do abraço de quem agente ama. E quando lá: nada mais importa, não há suor que não seque, nem aflição que não se aquiete.
É naquele abraço que achamos a razão para o ponto de partida, para as dores que sofremos e principalmente para onde queremos ir. Ali salvamos um ao outro, da vida que não queremos, da angústia que nos visitou ainda ontem, da raiva que ficou guardada. Naqueles corpos juntos existe a pureza, existe a ternura guardada por uma vida inteira.
E por fim, corpos separados, o vento da saudade começa a bater no rosto, lembrando que o frio da solidão logo estará ali. Que iniciaremos um outro tempo de espera, de cansaço, que sempre parece insuportável, interminável e na maioria das vezes cruel. Até que novamente os olhos se toquem e aplaquem o cansaço, que as almas se vejam e sejam salvas mais uma vez no calor daquele abraço.
Aline Gusmão
05-06/07/2007
P/JQ
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